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O ninho que eu preciso: espaço de afeto, acolhimento e descobertas na escola.

O ninho que eu preciso: Espaço de afeto, acolhimento e descobertas na escola
Quando escolhi esse tema, ele me fez refletir sobre o meu ninho, o ninho da minha infância.
Lembro do aconchego, do cheiro, da segurança e da alegria. O ninho da minha infância foi a
casa do meu avô, e quem o preparou para que eu pudesse ir para o mundo também foi ele.
Creio que foi ele quem acreditou em todo o potencial que eu tinha e em todos os meus sonhos.
Talvez, por conta desse ninho e desse preparo, eu tenha decidido virar educadora. Acho que
aprendi a preparar ninhos com ele.
Ao pensar nesse ninho, Bachelard nos descreve que ele “é uma casa de vida: continua a
envolver o pássaro que sai do ovo”. Eu diria que a Cabana é o ninho, uma casa que acolhe e
molda diariamente. Acho que ela me lembra a casa da minha infância porque, nela, também há
aconchego, cheiro, segurança e alegria. Aquela Cabana que não se faz de tecidos, mas de
gente para gente. Ali, quem olha de dentro nem imaginava que caberia tanta coisa. Ela cabe:
vida, tempo, intimidade, relação, alma… E sabe o que mais? Cabe a descoberta do novo, eu
diria, do mundo.
Bachelard ainda diz que “o mundo é o ninho do homem”. Eu diria também que ele é nossa
primeira morada. E que morada é essa, senão a escola para essas crianças? Que bom que,
em meio a uma vida agitada e a lugares tão cheios de excessos, as crianças têm uma Cabana
para chamar de sua.
E eu, o que sou? Sou uma educadora que prepara o ninho. Quando uma nova criança chega,
começo a preparar o ninho com cuidado, afeto e muito estudo. É um processo que demanda
tempo e paciência. Ao receber uma criança, a preparação não cessa. Há um mundo de
palavras que a envolve: “Estou aqui, eu cuido de você, não vou sair do seu lado.” E, assim, a
criança se sente segura e adaptada ao ambiente.
Eu empresto palavras, protejo, embalo e dou colo. Muito colo. Quero ser a educadora que
reflete na criança diariamente. Com isso, me peguei lembrando daquela criança que dizia:
“Quando eu for adulta, serei educadora da Cabana” (Melina). Isso me mostrou que quem
prepara o ninho também é espelho, alguém que inspira e passa o sonho para o outro.
A todo tempo, guio as crianças com incentivo: “Você consegue”. “Diga que não gostou”. “Fale para
ele que não quer.” O ninho, então, não é apenas um abrigo, mas também um espaço de
encorajamento e crescimento.
E quando percebo que tudo isso faz sentido? Quando ouço as crianças falarem:
“Eu te amo, Dani.” (Davi, 3 anos)
“Vamos brincar de professora, eu sou a Luana.” (Julia, 4 anos)
“Eu quero colo, Beto.” (Leonardo, 3 anos)
“Mamãe, Maniele.” (Laura, 6 anos)
“Eu sou seu irmão, Beto.” (Lorenzo, 4 anos)
“Você está bonita, Luana.” (Joana, 6 anos)
As crianças sabem do nosso amor por elas, mas nós ainda mostramos isso diariamente. Elas
vivenciam o ninho e o preparo de forma tão única que, quando chega o dia de se despedirem
para o mundo, guardam em si tudo aquilo que vivenciaram. Nós, educadores, interiorizamos
algo nelas que, mesmo com o passar do tempo, elas lembrarão do ninho da infância.
Lembrarão de cada aconchego, do cheiro do quintal e da comida, da segurança de saber que,
se caíssem, haveria alguém para levantá-las, e das alegrias — tantas risadas e brincadeiras.
Assim é a Cabana, um lugar que acolhe tantas crianças, onde cabem sonhos, risos e
descobertas, e que nunca largará a mão disso. E assim sou eu, uma educadora que, com
dedicação e afeto, seguirá preparando ninhos.

Texto Livre escrito pelo Educadora Daniele Leite a partir da pesquisa documental processual realizada com as crianças matriculadas na Cabana Escola Quintal durante o ano de 2024.

1 comentário em “O ninho que eu preciso: espaço de afeto, acolhimento e descobertas na escola.”

  1. Que feliz é saber que numa escola se faz ninho! Um trabalho árduo, graveto a graveto, entrelaçados em harmonia. Estar neste lugar, Daniele, exige escolha decidida. Parabéns pelo trabalho!

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